Arquivo para janeiro \23\UTC 2009

Mormaii Neocycle: sustentabilidade

Aqui no Brasil, infelizmente, não há muitas indústrias da surfwear que se preocupam com o meio ambiente e sustentabilidade, apenas algumas poucas e boas. O que vejo é uma ou outra OGN fazendo alguma ação aqui ou alí, sempre localmente, até por falta de apoio e verba, o que é compreensível no mundo em que vivemos.

Há algum tempo a Billabong e Element, ambas do grupo GSM, começaram a desenvolver uma pequena parte de seus produtos a partir de matéria-prima sustentável, como algodão orgânico (camisetas Element), que não utiliza insumos químicos na produção, e uma bermuda feita de PET reciclado (Billabong). Porém, foram desenvolvidos no exterior e não houve nenhuma ação aqui no Brasil para divulgar isso, apenas um ou outro anúncio.

Eu particularmente acredito que as marcas mais próximas do surf (as que fabricam muito mais produtos voltado para a prática do surf do que para a moda) deveriam aumentar o uso de materiais reciclados, além de divulgar e realizar ações que incentivem a sustentabilidade. Afinal, o surf está 100% ligado à natureza, dependemos disso para nossos momentos de alegria, de felicidade, de satisfação e evolução espiritual (para mim, isso é o surf), e nada melhor e mais justo do que fazer algo para ajudar a salvar a degradação ambiental.

A Siebert Surfboards faz pranchas de madeira, que apesar de serem literalmente de “árvores”, é um material biodegradável que reduz absurdamente o impacto ambiental causado por uma prancha comum (madeira é 100% boidegradável), além de ser muito mais durável. Uma sacada animaldo Felipe (shaper). É apenas uma das milhares de fábricas de pranchas, mas já é um movimento (valeu Felipe!).

Recentemente descobri também, em alguns anúncios e comentários no WE SURF!, uma iniciativa muito boa para o segmento de surf, feita pela Mormaii, que é 100% brasileira e conhecida no mundo todo… Os caras estão a mais de 30 anos no mercado fabricando roupas de neoprene, não só para o surf mas para tudo que é esporte na água, e agora inovaram ao começar a fabricação de chinelos e sandálias de neoprene reciclado, a Mormaii Neocycle. As sandálias são fabricadas a partir do neoprene velho, aquele que iria para o lixo comum e que já surfou uma penca de lugares, além de retalhos que seriam descartados. Para quem não sabe, neoprene vem do petróleo, ou seja, polui, e muito, e reciclar derivados de petróleo sempre é a melhor opção do que descartar.

Vejam o comercial das sandálias:

Além de fabricar e comercializar, a Mormaii também está incentivando a reciclagem em uma ação bem bacana: se você comprar uma roupa de neoprene nova nas lojas da Mormaii e deixar o seu antigo john para reciclar, ganha um kit Mormaii Neocycle com camiseta, toalha, saco ecológico, chaveiro e chinelo da marca. Ou seja, os caras estão investindo para produzir cada vez mais produtos reciclados. Isso movimenta o mercado para que outras empresas do segmento sigam o exemplo.

Mormaii NeocycleE tem mais, no meio deste mês entrou no ar uma promoção para divulgar as sandálias: três surfistas vão surfar de sandálias Neocycle e os vídeos desta parada serão colocados no site do produto. O surfista que receber mais votos e a pessoa que direcionou mais votos para este surfista ganham uma viagem para o Peru, além de vários produtos da Mormaii. Quem quiser participar, é só entrar no site da Mormaii Neocycle. Eu já estou por lá…

Vale conferir:

Esse tipo de ação promocional é histórica, eu particularmente não lembro de uma marca 100% brasileira (até as gringas mesmo) que tenha feito uma ação deste porte, com um prêmio bom, e que ainda estivesse ligada à preservação ambiental e à sustentabilidade (que por conceito é bem mais do que preservar a natureza).

Fica aí a dica. Vamos tentar um mundo mais limpo, e consumir produtos mais limpos quando houver a opção.

Aloha, soul surfers!

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V Santos Surf Festival 2009: tá quase

V Santos Surf FestivalGalera, muitos já leram em outros blogs, mas vai aí o reforço: V Santos Surf Festival, em Santos, São Paulo, BR, começa agora no dia 20/01 (até 26/01), lá no Quebra Mar.

O festival promete. Vários importantes ícones do surf brasileiro e gringo estarão presente, ou pessoalmente ou nos filmes, exposições, música.

Quem quiser ir, não paga nada.

O festival foi idealizado por Diniz Iozzi, o Pardhal, junto com o apoio de diversos outros membros da surf nation brasileira.

Como o próprio Pardhal disse em entrevista ao portal Waves, “Santos sempre produziu pessoas notáveis nas mais diversas áreas desde a época em que o Brasil ainda era Colônia de Portugal. No surf não é diferente e, diante de todo esse material humano, imaginei que a união dessas pessoas em torno de um evento configuraria um grande festival, capaz de mostrar ao mundo a riqueza da nossa originalidade cultural neste segmento e a influência que ela tem nos hábitos do povo santista.”

Bom, eu estarei em uma semana extremamente complicada aqui em São Paulo, mas no domingão, levanto cedinho e vou direto para o Quebra Mar conferir de perto o festival, pois vale a pena.

Nossa filosofia de vida, pela quantidade de surfistas que existem no brasil, possui pouquíssimos eventos que a valorizem, então é importante nós, que tiramos do mar essa energia que nos rege, comparecermos, até para conhecer mais sobre a história do surf brasileiro. Se não fossem estes pioneiros terem começado aqui, sabe lá Deus se surfaríamos hoje…

E para quem curte filmes de surf como eu, vai ter uma penca de filmes rolando no festival, vejam abaixo a lista:

Terça feira 20/01

IV Santos Surf Festival, de Rafael Sobral (BRA) – 9:30 e 13:30
Stranger than Fictionl, de Taylor Steele (USA) – 10:30 e 14:30
Not California, de Richard Gregory (UK) – 11:30 e 15:30
 
Quarta feira 21/01
 
Litmus, de Andrew Kidman (AUS) – 9:30 e 13:30
Glass Love, de Andrew Kidman (AUS) – 10:30 e 14:30
Sliding Liberia, de Britton Caillouette (USA) – 11:30 e 15:30

Quinta feira 22/01
 
Carving, de Roberto Vezzone (USA/BRA) – 9:30 e 13:30
Innermost Limits of Pure Fun, de George Greenough (USA) – 10:30 e 14:30
The Hub, de Christiaan Bailey (UK) – 11:30 e 15:30
 
Sexta feira 23/01
 
One California Day, de Mark Jeremias e Jason Baffa (USA) – 9:30 e 13:30
Believe, de Mick Waters (AUS) – 10:30 e 14:30
Chile Oculto, de Cristian Merello e Rodrigo Farias (CHI) – 11:30 e 15:30
 
Sábado 24/01
 
One Track Mind, de Chris Malloy e Woodshed Films (USA) – 9:30 e 13:30 – Estréia
Beach Blanket Burnout, de Tyler Manson (USA) – 10:30 e 14:30 – Estréia
Morning on the Earth de Albe Falzon (AUS) – 11:30 e 15:00
 
Domingo 25/01
 
Musica Surfica, de Mick Sowry (AUS) – 9:30 e 13:30 – Estréia
Utopia, de Rafael Mellin e Grupo Sal (BRA) – 10:30 e 14:30 Estréia
Seaworthy, de Nathan Oldfield (AUS) 11:00 e 15:00 – Estréia
 
Segunda feira 26/01
 
Homenagem ao cineasta Pepê Cezar pelo conjunto da obra.
 
002 Surf (1990) – 9:00 e  13:00
Cambito 1 (1993) – 9:45 e 13:45
Cambito 2 (1994) – 10:30 e 14:30
Cambito 3 (1996) – 11:15 e 15:15
Fabio Fabuloso (2004) – 12:00 e 16:00

Ouro do surf...

Nunca fui às edições anteriores do festival, mas sempre acompanhei as fotos e vídeos dos eventos anteriores. Vale a pena conferir ao vivo agora.

Outra dica que considero importante: Felipe Siebert estará com alguns longboards expostos lá (para quem não conhece, são de madeira “oca”… entrem no site dele para conhecerem que o trabalho é animal), e acho legal conferirmos, já que as pranchas também têm um estilão mais clássico e são frutos de um trabalho totalmente artístico.

Para quem for, nos vemos lá!

http://waves.terra.com.br/novo/santossurffestival2009/capa.html

http://santossurfart.blogspot.com/

Aloha, surfers!

Dave “Rasta”: Life Like Liquid

Gosto muito de assistir bons filmes de surf, e na minha busca, encontrei um novo (para mim), que deve ser muito bom. Ainda não assisti pois provavelmente não tem aqui no Brasil para vender…

Descobri o filme enquanto ouvia um som muito bom no PC de uma migo no trabalho, um reggae numa batida mais rápida. Perguntei quem era e ele falou: “sei lá, um amigo me passou umas músicas e eu curti essa, é de um filme de surf…”. Peguei o nome da música (pois no mp3 não tinha nem o nome da banda) e joguei no “pai Google” e descobri de onde vem: é de um filme do Dave Rastovich, o “Rasta”, que envolve muita música, improvisada, e umas imagens alucinantes!

É uma “coletânea” com várias imagens de sessões de surf e de música, feitas na hora, na casa dos camaradas… é até meio difícil de explicar, e no começo do trailer há uma frase descrevendo o trabalho: “…o plano era não ter um plano.. todo movimento, totalmente espontâneo…“.

Melhor vocês assistirem do que eu tentar explicar:

É muito bom, assistam que vale a pena.

Quanto à trilha sonora, essa eu consegui, e também é extremamente bom, fazia tempos que eu não escutava algo neste nível, muito bem tralahado e tocado. E em algumas músicas, a percussão é por conta do Rasta.

Dá uma olhada neste clipe, lançado agora em dezembro de 2008, com algumas imagens do filme e das sessões de música, é muito bom (e é da música que eu falei lá em cima):

Quem quiser ouvir um pouco da trilha do filme antes de comprar, aqui tem.

Não sei se é porque sou meio fã do Rasta, do seu estilo de surf e de vida, mas realmente é melhor vocês avaliarem do que eu falar, pois serei totalmente parcial e posso valorizar demais… Afinal, o filme e as músicas são muito bons mesmo.

Aloha.

8 anos de Alma Surf

Eu sou um pouco criterioso para ler revistas, principalmente sobre surf. Tem uma penca de revistas que 50% é só propaganda, 20% sobre campeonatos, 20% fotos clichês e 10% de colunas, sendo que apenas metade destas colunas e fotos me satisfazem.

E quando falo em satisfação, quero dizer ler textos bons, que me dispertem sentimentos, que me ensinem mais sobre o surf, ou imagens que transmitam o sentimento que o surfista, o fotógrafo e o mar se encontraram.

Sempre lia a Fluir, mas nunca fui muito fã desta, apesar de ter boas fotos e colunistas muito bons, como o Fred d’Orey, que sempre escreve textos bacanas. Também comprei umas Hardcores, mas nada de especial. (Quando falo isso, é porque as revistas não atendem a minha necessidade de leitura, de busca, o que não quer dizer que são revistas ruins, são ambas muito boas no que fazem).

Aí descobri a Alma Surf, há seis anos atrás. Encontrei na banca, dei uma folheada básica e pensei: “pô, vou levar…”. Quando cheguei em casa, li inteira. Fiquei apaixonado pelo conteúdo, pela idéia da revista, que era nova ainda, mas muito melhor do que o que eu conhecia na época.

A revista está completando 8 anos com esta última edição (DezJan, pois a revista é bimestral), que está com uma penca de bons colunistas: Taiu Bueno (sensacional sempre), Sylvio Mancusi (estreando muito bem), Rico de Souza, Roberto Vámos, Adriano Vasconcellos, entre outros.

Fora a revista, há diversas atividades culturais, como o Fstiv’Alma, que aconteceu no ano passado e nos anteriores, com shows de importantes ícones do mundo surf, e também exposições artísticas, de fotos, filmes e pranchas. Agora mesmo está rolando uma exposição no Shopping Morumbi, aqui em São Paulo, do dia 8 a 25 de janeiro, o Festival Alma Surf, que possui parte do acervo artístico que foi apresentado no Festiv’Alma, com pranchas, filmes, fotos… Confiram: http://www.morumbishopping.com.br/home/.

Para quem quer uma revista de surf brasileira, de qualidade, é essa: Alma Surf. Surf, arte, cultura, essência, é isso que a revista traz.

http://www.almasurf.com.br

Único problema: o site não atualiza tão rápido. Mas é só correr na banca, deixar 10,00 merréis e pegar a sua que vale a pena.

À Alma Surfe aos leitores: parabéns pelos 8 anos de cultura, e continuem assim.

Aloha!

2009 vai ser “clássico”

O primeiro pôr do sol de 2009

Galera, antes de tudo, um ótimo 2009 para todos! Agradeço por estarem aqui, acompanhando as postagens e contribuíndo nos comentários!

Se minhas palavras lhe serviram para despertar algum sentimento, eu agradeço novamente. O surf é isso, uma constante evolução, e totalmente dependente da vontade da nossa mãe natureza. Ela é quem dita as condições, e nós é que aproveitamos disso, não só pela parte prática de surfar, mas principalmente pela bagagem que temos dentro de nós: nossos sentimentos, conhecimentos e sensações, que são todas despertadas no simples ato de surfar…

Que em 2009 esses momentos se repitam, e que nós, escritores e leitores de bons blogs (principalmente os leitores), possamos aproveitar de toda essa atmosfera da cultura surf.

Essa foto eu tirei no dia 01/01/2009, o primeiro pôr do sol que presenciei no ano, e no litoral, em Boracéia. Um lindo dia, com uma galerra 100%, no primeiro dia do ano. Boas energias abrindo o ano.

Graças a Deus e a mãe natureza, pude desfrutar de boas ondas na Vermelha do Norte e na Toninhas, em Ubatuba (ainda em 2008, antes da virada), e principalmente em Cambury e Baleia (em um dia pequeno, de long), em São Sebastião. Não peguei nenhum “marzão”, mas peguei boas condições que me renderam bons momentos…

Do dia 28/12 até o dia 03/01, acordava todo dia às 6h00 e entre 6h45 e 7h00 já estava na água, sempre com uma galera alto astral, sem confusões ou discussões. Afinal, quem estava alí nesse horário era para surfar, e não arrumar confusão, disputar onda.

Algo me diz que 2009 vai ser “clássico”.

Grande abraço a todos que acompanham, e “vamo que vamo” de volta nas postagens!

Aloha, amigos.

Renato Ferrari