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Outono, seja bem vindo

Mais uma vez quebrando as regras, esse verão foi acertado com bons swells no litoral de Sampa. Uns oito ou dez ciclos de boas ondas, e alguns até durando vários dias.

Independentemente do que tivemos em qualidade de surf, com água quente, ondas boas e com tamanho, eu tenho duas coisas a dizer sobre isso: obrigado pelo verão, foi maravilhoso, mas… Seja muito bem vindo o outono, nunca o esperei tanto quanto neste ano.

O outono para mim é a melhor estação, seguida do inverno, claro. É nela que começa a esfriar. Estive em uma fase meio conturbada, que em meio a momentos maravilhosos e cheio de alegria, amor, amizade, simultaneamente aconteceram varias transformações, difíceis, dolorosas, mas com certeza construtivas. No final do verão, rezei para que o outono chegasse logo, para esfriar um pouco esse turbilhão que se fez em minha vida. Problemas pessoais, mas comuns para qualquer ser humano, nada de extraordinário, mas nessa última semana, com esse friozinho bom que deu as caras, as coisas já começaram a esfriar, a se acalmar. E com isso, tive contato com várias coisas boas que me deram um suporte imenso para agüentar com firmeza as dificuldades, aprendendo como em dez anos nunca aprendi, sério mesmo.

O outono traz essa “calmaria energética” para mim, me sinto mais seguro e protegido, mais disposto, com mais vontade de ter mais contato comigo mesmo, com amigos, com a natureza. Isso me conforta.

Além disso, tem o surf. O surf no outono é mágico. As praias ficam mais vazias, mais limpas, mais naturais. As ondas ficam mais gostosas, mais presentes, mais surf.

Outono, seja muito bem vindo, que amanhã eu vou surfar.

Aloha.

A saga da nova prancha…

Nestas últimas semanas eu comecei uma nova busca, que também traz emoção pra qualquer surfista: uma prancha nova.

Já experimentei algumas marcas/shapers, feitas na mão, feitas na máquina, comprada pronta, mandada fazer, usada, nova… Mas a questão aqui não é falar da minha escolha, e sim de um cenário que me assustou um pouco, que é a falta de informações que os sites dos shapers/marcas sobre as pranchas. Salvo algumas marcas, e por incrível que pareça são de caras mais “artesanais”, a grande maioria apresentou sites mal feitos, com erros, com poucas informações sobre seus modelos de pranchas, fotos mal tiradas…

Enfim, é óbvio que o site do shaper, os atletas que são patrocinados, os videozinhos das pranchas, etc, não diz absolutamente nada sobre a qualidade do trabalho do shaper e de suas pranchas, mas estamos em uma época em que o consumidor busca informações antes de comprar qualquer coisa, inclusive prancha. O cara que surfa há mais tempo já conhece os grandes shapers, mas hoje, com a revolução das máquinas de shape, surge uma gama incrível de modelos de pranchas, medidas, que quem surfa quer conhecer para fazer sua escolha. E confesso que minha busca foi um tanto quanto difícil…

Achei pouquíssimas marcas/shapers brasileiros com sites bacanas, com mais informações sobre seus modelos. Busquei, mesmo após definir o shaper e prancha que eu queria, renomados shapers brasileiros, e fiquei assustado com o quão pobre são os sites dos caras… E digo pobre quando comparei com marcas/shapers australianos, americanos e havaianos, que os sites contam a história dos caras, a descrição dos modelos de pranchas, como funciona cada “feature” da prancha.

Aí, quando fui buscar minha prancha, que atrasou um pouquinho para chegar da fábrica até SP, tive mais ou menos uma hora e meia para conversar com o cara que cuidava da parte comercial, e falei justamente sobre isso tudo. O cara já tem alguns bons anos de surf e alguns bons anos de mercado, então perguntei sobre vários shapers, várias marcas, surfistas.

Conclusão: o shaper está assumindo, nos últimos anos, um novo papel no surf. Não o de fazer a prancha em si, mas sim no desenvolvimento da coisa toda – nos modelos, na performance da prancha na água, na evolução de sua arte. O shaper que não se antena, não pesquisa novidades, não arrisca, não aparece, e confia no boca a boca, está ficando para trás. É o famoso “cabeça dura”. É óbvio que um dos principais objetivos do shaper é ganhar dinheiro, e eu vejo que isso é possível mais facilmente de duas formas: ou você cria uma produção em séria linkada a uma marca comercial, ou você executa um trabalho de qualidade e divulga que assim ele é. Não que a primeira opção não traga bons resultados e também produtos de qualidade, mas eu particularmente prefiro a segunda alternativa…

Não sou nenhum profissional, e nem surfista que surfa a ponto de trocar de prancha todo mês para avaliar qualidade de prancha. Mas essa foi a impressão que tive nesta minha busca. Fica a dica para o mercado, com a visão comercial/publicitária que tenho (essa eu posso defender com mais propriedade).

E fica um registro da nova prancha, que pela primeira queda que fiz, posso afirmar que é “mágica”:

Aloha, surfers!

A alma pede surf…

E como disso no post anterior, 2012 é o ano do surf.

Tivemos a sorte de um bom swell de sul encostar bem nesse último final de semana aqui no litoral paulista, que rendeu boas ondas. E eu tive a sorte de poder surfar no sábado quase dois metros (medindo a onda onde se surfa: na frente…), e também no domingo, que variou de um a um metro e meio. Isso foi coisa rara, um swellzão bom, alinhado, com tamanho, de sul, e no verão…

Desci na companhia de bons amigos (não todos eles, pois alguns não puderam), e surfamos boas ondas.

Mas desta vez, por mais que tivéssemos condições muito boas de surf e alguns tenham evoluído o surf, cada um do seu jeito e com seus “objetivos”, não venho escrever sobre as ondas. Novamente, venho agradecer ao que o surf me proporciona, e o poder que ele tem de transformar sentimentos, de trocar conhecimentos, histórias, segredos. De compartilhar.

Todo mundo tem problemas, tem alegrias e tristezas, mas também tem pontos de vista diferentes, formas diferentes de lidar com problemas, soluções diferentes. E quem surfa sabe do que estou falando: quando estamos no outside, esperando a série, ou quando estamos saindo da água, caminhando até o carro, ou esperando para a próxima queda, sempre estamos trocando idéia com alguém. Compartilhando situações complicadas para nós, muito pessoais e íntimas, que às vezes não vemos solução, ou que estão nos desanimando. E aí o seu brother (porque nessa hora, é irmão mesmo) fala de uma experiência dele, de um problema igual ou muito próximo, e o que ele fez para sair, para resolver. É nessa hora, que você está num tubo escuro quase fechando, que de repente a onda se abre e você vê novamente a luz, a saída.

Na minha vida, pelo menos, posso dizer que tenho poucas oportunidades tão boas de se desprender da vida material, dos preconceitos que a sociedade cria, e compartilhar a vida em busca de soluções, em busca de evoluir como ser humano para enfrentar e resolver os meus problemas.

Por isso eu digo: surf não é um esporte. Surf é pura vida, é evolução pessoal e espiritual, é satisfação, é terapia, é alegria, é troca de experiências, é diversão, é amor.

Além de tudo isso, ainda há o indescritível prazer, a inatingível sensação, de deslizar sobre a água, de correr uma parede lisinha, como se estivesse flutuando na água, subindo e descendo…

Isso, meus caros, só conhece quem surfa de alma.

É por todos esses motivos que nunca vou parar de surfar. Porque minha alma pede surf.

Aloha!